05/01/2011

Parte III

Ao ouvir teu amado, Carla olha para ele, ignorando completamente seu lado esquerdo, de onde vinha o carro assassino. Neste mesmo instante os dois automóveis se chocam, como Carla olhava para o outro lado não teve tempo de ter reação alguma, nem para tentar se proteger e a batida pegou em cheio em sua porta. Ambos os carros estavam irreconhecíveis.

- NÃO! NÃO! NÃO! NÃO! NÃO! – gritava incessantemente Antônio, desesperado correu rumo ao carro de Carla, tentando em vão livrá-la das ferragens. Algo havia atravessado uma de suas pernas e ela estava desmaiada.

Não conseguindo segurar o desespero, Tony via apenas a ambulância se aproximar, junto com o carro do Corpo de Bombeiros. Enquanto os bombeiros faziam o seu trabalho tiveram que retirar o homem que chorava e gritava por ali, levando-o para a ambulância, medindo sua pressão e tentando acalmá-lo, sem sucesso. O corpo de Carla era tirado das ferragens, enquanto o motorista do outro carro era levado a outra ambulância perto dali. Ao longe Antônio ouvia dois homens que diziam:

- Ele vai ficar bem, o Air Bag salvou a vida dele!

- Pois é, mas acho que a mulher não escapou com vida...

As coisas se embaralhavam, os pensamentos não se conectavam e mais uma vez parecia que o tempo não passava. Sua cabeça rodava, rodava e nada daquilo parecia fazer algum sentido, talvez não fizesse mesmo. Este foi o último pensamento antes que sua cabeça entrasse em pane e que apenas acordasse no hospital, meia hora depois do acidente.

- Olhe, parece que ele acordou! – aquela voz era inconfundível, era Pedro que estava ao lado de seu amigo no quarto do Hospital.

- Sim, está acordando, mas ele ainda pode estar em choque. – respondeu o enfermeiro.

Ao abrir os olhos Antônio via que estava em um quarto de hospital, com um enfermeiro checando o soro e Pedro, amigo de longa data ao lado.

- Pedro, por que eu? – perguntava com as primeiras lágrimas começando a aparecer.

- Não é você nobre amigo, desculpe-me, mas não é. Acha que é o único que perdeu alguém realmente importante na vida? Achei que você melhor do que ninguém aceitaria isto numa boa.

- Não é tão fácil quando é contigo, não é?

- Não, não é fácil... Mas é necessário, não pensas em ficar aí a vida toda, tem que levantar, tu ainda tens muito trabalho para fazer, a ordem...

- Não me fale nisso agora, não quero falar de trabalho ou coisas que nem preciso mais fazer.

- Claro que precisa. Desculpe-me, mas tenho que falar isso, tu saíste, mas não deixou ninguém em teu lugar. Não podes sair e deixar sua cadeira vazia.

- Claro que posso! Quem é você ou qualquer outro para dizer o que eu posso! Sou livre! Finalmente livre!

- Ok, me mate então!

Ao ouvir isso, o enfermeiro que saía da sala olhou nos olhos de Pedro que vidrado encarava o homem deitado na cama.

- Senhor, por favor, estamos em um hospital, mantenha a ordem.

- Ordem... – retrucou Antônio.

Neste momento Pedro se levantou e foi até a porta, enquanto andava olhava para Antônio, falando:

- Não podes me matar, porque não és livre, és escravo de diversas leis, de diversos princípios, não podes voar, mergulhar até o fundo da Terra, conhecer o Universo. Então não me venha com palhaçadas de liberdade, esta palavrinha é muito engraçada e só.

Já no batente da porta olhando para Antônio, colocou dois dedos na testa e bateu continência para Antônio antes que saísse. Seu amigo deitado na cama apenas engoliu suas palavras e olhou para sua mão, onde a agulha com o soro entrava.

Algumas horas depois Antônio chegava em sua casa, sabia que estava muito abatido, mas não entendia se pela morte de sua amada noiva ou se pelas duras palavras de seu único amigo. Ele precisava pensar no seu luto, mas também não poderia deixar de lado seu lugar no conselho dos 12.

Três dias depois, por volta de 1 da manhã Antônio atendia o telefone que não parava de tocar há quase 20 minutos.

- Oi?

- Pater?

- Fala Pedro, eu não sou mais do conselho.

- Eu sei, mas agora tens um pupilo, terás que ensinar a ele tudo que tu sabes, ou quase tudo. Ele será seu substituto na décima cadeira do conselho.

- Ok, eu falo contigo amanhã então.

- Hehe, ele deve bater em sua porta em alguns segundos.

- Como assim?

- Mandei ele aí, boa noite. – Pedro desligou o telefone.

- Mas...

Jogando o telefone na parede foi em direção à porta. Lá saiu e foi em direção ao elevador que estava subindo. Se posicionou na frente da entrada do elevador, que tão logo parou e abriu-se. Lá dentro um garoto, com não mais do que 22 anos, cabelos bem curtos com roupas estranhas, calças jeans, camisa verde e um casaco aberto cinza por cima. Nos pés os chinelos davam um tom mais estranho ainda àquele jovem, que logo foi indagado.

- Você é?

- Desculpe senhor, só posso falar com o Pater.

- Ah sim e você disse isso a todas as pessoas que falaram contigo? “Desculpe senhor, só posso falar com o cara que vai me ensinar coisas secretas sobre uma sociedade secreta que é tão secreta que ninguém pode saber....”

- Eu havia pensado nisso, mas depois o Um me falou que te reconheceria porque estaria me esperando na porta do elevador.

- Idiotas... Vamos, a porta está aberta. Onde já se viu, isso são horas!

- Me desculpe, se quiser volto amanhã.

- Quero sim! Mas não dá pra querer, entra logo.

Após entrar em seu apartamento, Antônio fechou a porta e voltou-se para o garoto.

- Então garoto, é você que vai ficar no meu lugar, não é?

- Sim senhor.

- E o que sabe sobre a Ordem?

- Quase tudo, na verdade acho que não vai ter que me ensinar nada! Somos 12 pessoas que respondem apenas por seus números e não devem se conhecer muito bem para evitar problemas. Não temos medo de nada e nada nos atinge, somos donos de nosso próprio mundo e evitamos que o equilíbrio seja quebrado, este equilíbrio é mantido pelo nosso pensamento, que como qualquer um, tem o poder de mudar o mundo, a História e a vida, os quais somos proibidos de nos intrometer. Somos senhores da vida e sabemos tudo sobre a morte!

- Nossa ein, te contaram uma besteira muito grande! Bom, vamos às explicações então.

Antônio mudou completamente de semblante, levantando a mão e colocando seu dedo indicador sobre a testa do jovem, a partir dali a visão do garoto começou a ficar turva e seu corpo parecia se deslocar daquele lugar, sua mente parecia se deslocar do seu corpo.

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