“hoje vivemos um dia mágico, hoje será o dia do show mais esperado do ano! Vamos curtir juntos aqui no programa do Tinoco! Você não pode perder! É hoje, às 10 da noite....”
Enquanto o rádio desperta em uma linda manhã de domingo, Tony abre os olhos muito devagar. Pensando ainda deitado, sua cabeça ressoa. “Que? O despertador? Como assim? Estou em casa. É, esta é a minha casa, estou sozinho. Não, não estou sozinho, conheço este cheiro. Como vim parar aqui? Estou mesmo vivo. Estou inteiro, onde está aquele maldito? Quem mandou ele me salvar?” as perguntas se repetiam em sua mente. Seu corpo, por reflexo, bateu a mão ao lado no rádio relógio. 6:13 da manhã. Dia 02/02. Ao olhar para a data, com um pulo Tony sai da cama, espantado mais uma vez braveja
- QUE LOUCURA! Como estou em fevereiro? Ontem era julho!
Olhando para a cama desarrumada, alguém estava ali ao seu lado durante a noite. Sua amada noiva, já deveria ter levantado para ir trabalhar. Debaixo do relógio um pedaço de papel. Pegando o papel, Antônio, desesperado e confuso lia: “Omnia Vincit”.
- Inacreditável – olhando para a janela de seu apartamento, completa – inacreditável!
Após se recompor e tomar seu banho matinal, Antônio senta na varanda de seu apartamento, em frente a uma das praias mais famosas da cidade, olhando algumas pessoas que chegam e outras que passam no calçadão. Acende um cigarro, por um segundo pensa em apaga-lo, no próximo o cigarro está em seus lábios e a fumaça começa a tomar conta do ar.
- Será que tudo foi sonho? Será que eu morri e voltei para pagar meus pecados? Por que aquele maldito estava lá? Por que me salvou, se salvou? Brincadeira, nem para morrer eu consigo em paz...
Deixando escapar um sorriso meio macabro com a piada de mau gosto, logo olha para os lados e se levanta, indo até o telefone. Na sala de estar um sofá e uma poltrona acomodam três pessoas confortavelmente, mas a mania de deitar em dois lugares faz com que sua noiva geralmente tenha que sentar-se na poltrona antiga, que parece menos confortável do que a cama improvisada.
- Alô – do outro lado da linha alguém atende.
- Oi Pedro, aqui é Antônio, precisava tirar umas dúvidas contigo.
- Fale Bom Rapaz, estou aqui sempre para saciar suas inúmeras dúvidas.
- Parece que o Iniciado fez algo comigo.
- Iniciado? Qual deles?
- Tu sabes qual deles, o único que pode fazer algo comigo!
- Pelo que eu saiba não é especial, nada te protege de ...
- Não venha com mazelas, sabes muito bem do que estou falando! – interrompe Antônio com a voz alterada.
- Ok. Bem, o que ele fez?
- Estava eu no dia que saí do conselho, na verdade no dia que fazia um ano que saí do conselho...
- Mas esse dia seria daqui há alguns meses, não?
- Este é o ponto, lá estava eu, pronto para me... fazer algo estranho a mim mesmo. Ele me mandou de volta para cá.
- Muito bom, lembra os números da Mega Sena dos sorteios de março em diante? – completou com uma pequena risada
- Idiota, estou falando sério, eu voltei no tempo! E agora eu posso afetar o futuro? Criar um futuro paralelo?
- Não, você não pode mudar o futuro, você faz parte do presente, o passado não existe!
Enquanto Pedro falava, a mente de Tony fervilhava e um pensamento lhe deu um estalo que fez imediatamente desligar o telefone. Ficando ofegante na hora decide correr para fora do teu apartamento, deixando a porta aberta e o telefone jogado no chão, saindo de forma brusca procurando as escadas, não quis saber do elevador para descer os seis andares para baixo. “Hoje! É dia 02/02! Devem ser por volta de 7:30 da manhã... ainda dará tempo, ainda dará!”
Correndo desesperado, Antônio chega ao seu carro e lembra que as chaves ficaram no apartamento. Com uma lágrima começando a cair, corre para a saída, dando uma olhada no relógio da recepção do edifício que marcava 7:45. Sai instantaneamente, com medo de que voltar para casa para pegar a chave fosse perder tempo demais. Pelas ruas correndo, vai lembrando lentamente do que ele não deveria saber, do que ainda iria acontecer. A exatos 5 minutos do presente, há muitos metros, sua noiva voltava para casa, ela esqueceu o celular e uma pasta preta, deveria voltar urgentemente para pegar, pois sem ela não conseguiria mostrar seu novo projeto a seu coordenador. Mas ele sabia o que ninguém mais sabia. Ela morreria em um grave acidente de carro, ao atravessar um cruzamento um homem embriagado, mesmo naquela hora da manhã, atravessaria um sinal vermelho e pegaria o lado do carro dela em cheio, ela morreria lá mesmo, sem ter a mínima chance dele fazer nada, pois só saberia disso depois das oito da manhã, quando ele sairia para visitar sua mãe. Mas agora tudo poderia ser diferente, Antônio poderia correr e salvar a tua noiva, o tempo era curto, o trajeto muito longo, mas o desespero seria seu motor e a ansiedade seu combustível.
Ao chegar perto do cruzamento, Antônio vê na esquina ao seu lado o carro azul do embriagado passar. Era agora ou nunca, em poucos instantes o acidente aconteceria. Ele correu em direção ao cruzamento tentando avisar a sua noiva para não atravessar o cruzamento, mesmo com o sinal verde para ela. Ao chegar na esquina que ela atravessaria, o carro dela passa exatamente ao seu lado, sem que ela visse seu noivo desesperado, que só pode gritar.
- CARLA, CUIDADO, CUIDADO, O CARRO!
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